Experiência escolhida a dedo · Santorini
Santorini, Grécia
Três adegas e uma dúzia de provas numa tarde: o vinho doce de uvas secas ao sol que a Rússia comprava, caves abertas na falésia, e a casta tinta salva da extinção.
Três produtores visitados numa tarde, para poder comparar sítios e estilos
Cerca de uma dúzia de vinhos servidos, mostrando o que o chão vulcânico faz a uma casta
Queijo e pratinhos servidos a par das provas
Um formato de quatro a cinco horas que deixa o resto do dia livre
Quatro ou cinco horas construídas à volta de três adegas e não de um circuito de miradouros. Cerca de uma dúzia de provas nas três, com algo para comer pelo meio, em grupo próprio. Se esperava uma volta panorâmica geral por Santorini, isto não é isso, e vale a pena saber a diferença antes de partir.
Distribuída por uma tarde de calor, com medidas pequenas e comida pelo meio, é comportável. Encarada como doze copos cheios com o estômago vazio não é, e há quem se atrapalhe. Use as cuspideiras, que ninguém achará mal-educado, beba água em cada paragem e coma o que lhe puserem à frente. Quem conduzir a seguir deve ficar de fora por completo.
Muito antes de alguém cá vir pela caldeira, a exportação da ilha era um vinho doce feito estendendo as uvas colhidas ao sol durante uns quinze dias até engelharem, prensando depois o pouco sumo que restava e envelhecendo-o em barrica durante anos. Fica quase âmbar e sabe a figos secos e café. A maior parte ia para a Rússia, onde a igreja ortodoxa o levava para a comunhão, e esse único mercado sustentou a economia local até a Revolução cortar o comércio de um dia para o outro. Peça para o provar mesmo que vinho doce não seja o seu costume; é o centro histórico do assunto.
As adegas mais antigas são túneis abertos na rocha vulcânica mole, com a entrada em cima e o chão em declive, para que o mosto prensado corresse até às vasilhas sem ninguém o levantar. A rocha mantém temperatura estável o ano inteiro num sítio sem sombra e sem madeira. Vários produtores ainda usam estes espaços, e entrar num deles vindo de uma tarde de quarenta graus explica o desenho de imediato.
A par das castas brancas conhecidas há uma casta de pele escura que quase desaparecera nos anos oitenta, mantida viva numa mão-cheia de parcelas velhas porque ninguém se dera ao trabalho de a arrancar. Alguns viticultores propagaram-na de propósito na década seguinte e hoje dá alguns dos tintos mais interessantes da Grécia. Se uma adega a tiver, vale a prova extra.
A área plantada caiu uma boa fração em meio século, porque o terreno junto à caldeira vale mais com um edifício em cima, e a água é escassa. Os rendimentos aqui já estão entre os mais baixos da Europa — videiras velhas em cinza e pedra-pomes dão muito pouco. É essa combinação a maior pressão sobre o vinho da ilha, e qualquer produtor falará disso se lhe perguntar.
Uma adega diz-lhe o que pensa um enólogo. Três, provadas numa tarde, dizem-lhe a que sabe a ilha e onde os produtores discordam — sobre madeira, sobre acidez, sobre se o vinho se deve beber jovem. Faça a cada um a mesma pergunta e ouça as diferenças.
Abra-a para escolher uma data e calcular o preço.
O que o preço cobre e o que deve prever à parte.
Os detalhes práticos e as respostas que as pessoas realmente procuram.
Não. A tarde é construída à volta de três produtores e dos seus vinhos, com provas e comida em vez de um circuito de miradouros. Reserve outra coisa se quiser as aldeias da caldeira.
Não, se as tratar como medidas e não como copos. Use as cuspideiras, beba água em cada paragem e coma o que lhe oferecerem. Quem conduzir a seguir deve abster-se por completo.
Um vinho feito de uvas deixadas ao sol cerca de duas semanas até engelharem, depois prensadas e envelhecidas em barrica durante anos. Fica âmbar, com sabor a fruta seca e café, e foi a principal exportação da ilha.
A igreja ortodoxa russa, que o levava para a comunhão em tal quantidade que o comércio sustentava a economia local, até a Revolução cortar o mercado.
São túneis abertos na rocha vulcânica mole, com entrada em cima e chão em declive, para que o mosto corresse às vasilhas por gravidade. A rocha mantém temperatura estável numa ilha sem sombra e sem madeira.
Uma casta de pele escura que quase desaparecera nos anos oitenta, sobrevivendo em algumas parcelas velhas. Os viticultores propagaram-na de propósito na década seguinte, e hoje dá alguns dos tintos mais interessantes do país.
O terreno junto à caldeira vale mais construído, a água é escassa, e os rendimentos de videiras velhas em cinza e pedra-pomes são minúsculos à partida. A área plantada encolheu bastante em cinquenta anos.