Experiência escolhida a dedo · Milão
★ 3.9Milão, Itália
Porque a entrada importa mais do que a visita, porque quinze minutos é um limite rígido e porque a pintura está em ruína desde uns vinte anos depois de acabada.
Entrada acompanhada à pintura mural de Leonardo, no seu refeitório
Acesso à catedral e à casa de ópera e ao seu museu
Uma hora a pé pelo centro, com deslocações em viatura com ar condicionado
Auscultadores para o comentário nos locais principais
Três horas em Milão a cobrir a catedral, a casa de ópera e uma audiência de quinze minutos com uma das pinturas famosas mais danificadas do mundo. A entrada nesta última é a razão de ser desta marcação: os bilhetes individuais são postos à venda com meses de antecedência e desaparecem em horas, por isso uma visita acompanhada que inclua a admissão é muitas vezes o único caminho realista lá para dentro.
Os visitantes entram em pequenos grupos por uma sequência de câmaras seladas que retiram o pó e estabilizam a humidade, passam um quarto de hora rigorosamente cronometrado no refeitório e são depois retirados para que o grupo seguinte possa entrar. Isto não é gestão de multidões por gosto. Cada respiração naquela sala deposita humidade numa superfície que já mal se aguenta.
Leonardo não a pintou como fresco. O verdadeiro fresco obriga a trabalhar o pigmento em reboco húmido, por secções diárias, depressa e sem hipótese de emenda — e ele emendava e trabalhava devagar, por isso inventou um método seu, pintando sobre reboco seco e selado com têmpera e óleo. Falhou quase de imediato. Os contemporâneos registaram a tinta a soltar-se dentro de vinte anos e, a meio do século seguinte, os observadores descreviam-na como uma ruína.
Foi repintada, limpa e salva pelo menos sete vezes, e cada tentativa acrescentou a sua camada de pincel alheio. O esforço mais recente durou vinte e um anos e terminou em 1999. Em vez de repintar, a restauradora retirou as intervenções acumuladas e estabilizou o que estava por baixo, o que significa que boa parte do que se vê é parede nua e vestígios ténues. As estimativas do que resta de tinta original andam por um quinto. Vá à espera de uma coisa ferida e não de um quadro.
Em 1652 os monges quiseram um acesso mais cómodo à cozinha e rasgaram uma porta na parte de baixo da parede, levando os pés de Cristo e uma faixa da composição inferior. O contorno tapado ainda se vê. Ninguém na altura achou aquilo digno de nota.
Em agosto de 1943 o edifício foi atingido num ataque aéreo que destruiu o telhado e uma das paredes compridas do refeitório. A parede pintada aguentou-se, protegida por sacos de areia e andaimes encostados de antemão. As fotografias dos dias seguintes mostram a sala aberta ao céu com aquela parede ainda de pé, embrulhada e escorada.
A construção começou em 1386 e o último portão foi colocado formalmente nos anos sessenta, e é por isso que uma velha expressão milanesa compara um trabalho interminável à obra desta catedral. Tem cerca de 3400 estátuas e 135 pináculos, e a pedra continua a ser substituída bloco a bloco, vinda da mesma pedreira que lhe está reservada desde o século catorze. Há uma oficina permanente de canteiros cujo trabalho nunca vai acabar.
Na casa de ópera, os lugares a conhecer são os mais altos. Os seus habituais são conhecidos por não perdoarem, prestam atenção à técnica e não à reputação, e já puseram cantores fora de cena a meio de um espetáculo. Uma carreira sobrevive a quase tudo, menos a eles.
Traga o passaporte ou o documento de identificação com que fez a marcação, já que os nomes são conferidos no refeitório. Ombros e joelhos têm de estar cobertos na catedral. Não entram sacos de tamanho nenhum nas câmaras da pintura. O cancelamento é livre até um dia antes.
Abra-a para escolher uma data e calcular o preço.
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Porque os bilhetes individuais para o refeitório são postos à venda com meses de antecedência e esgotam em horas. Uma visita acompanhada que já traga a admissão é muitas vezes a única forma de entrar em cima da hora.
Quinze minutos rigorosamente cronometrados, entrando em pequeno grupo por câmaras seladas que controlam o pó e a humidade. Os grupos saem à hora marcada para que o seguinte possa entrar.
Leonardo evitou o verdadeiro fresco, que exige trabalho rápido em reboco húmido sem emendas, e pintou antes com têmpera e óleo sobre reboco seco e selado. Começou a soltar-se cerca de vinte anos depois de acabada.
Cerca de um quinto, segundo a estimativa corrente. O restauro concluído em 1999 passou vinte e um anos a retirar séculos de repinturas alheias em vez de acrescentar mais, por isso boa parte da parede lê-se como vestígio ténue.
É, em 1652, para chegar à cozinha com mais comodidade. Levou os pés de Cristo e uma faixa da composição inferior. O contorno tapado ainda se vê na parede.
Um ataque aéreo destruiu o telhado e uma das paredes compridas do refeitório. A parede pintada sobreviveu porque lhe tinham encostado sacos de areia e andaimes de antemão, e as fotografias mostram-na de pé numa sala aberta ao céu.
O documento de identificação com que fez a marcação, já que os nomes são conferidos no refeitório, e roupa que cubra ombros e joelhos para a catedral. Sacos de qualquer tamanho não entram nas câmaras de visita.